sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Frankenstein

Quem nunca ouviu falar em Frankenstein?

É muito difícil encontrar alguém que nunca tenha escutado este nome. Todos sabem quem ele é e qual a sua história. Todos sabem que o monstro verde é torpe foi criado por um médico maluco, à partir de um experimento.

Para tanto, espero não decepcionar ninguém ao dizer que, tudo o que conhecem - ou pensam conhecer - é, em parte, mentira. É por essa razão que convido todos os indignados - por terem sido enganados - a lerem o "Frankenstein" original, de Mary Shelley.


Entretanto, é importante que eu os alerte: não é um livro tão fácil. Às vezes, Shelley dá tantas voltas, que se o leitor não estiver atento, perde a história, e, consequentemente o interesse pelo livro. Além disso, se faz necessária a presença de um dicionário. 

Victor Frankesntein, desde sua infância se interessou, profundamente, por livros escritos por alquimistas. Passou a estudá-los com afinco, e mesmo que seu pai e seus professores o alertassem da perda de tempo que seria ter com ideias ultrapassadas e absurdas, o jovem rapaz não desistia. Dedicou muitos anos de sua vida às pesquisas - inclusive procurou pelo elixir da vida - porém, todas elas sem o ínfimo sucesso. Foi assim, diante de seu fracasso, que Victor, não só abandonou suas experiências como também passou a sentir repúdio por seus antigos ideais.

Não obstante, as envilecidas crenças vieram novamente à tona quando Victor foi mandado a uma universidade na Inglaterra. Foi aí que seus experimentos tornaram-se mais sólidos e a conjetura de criar um ser perfeito, à partir da matéria inanimada, surgiu.

Trabalhou nisso durante muitos meses, deixando até de dormir e comer - atitudes que deram à ele uma aparência deplorável - para terminar seu lúgubre projeto.

Contudo, o Sr. Frankenstein estava fadado à desgraça: o ser que criou poderia ser maior, mais ágil e mais resistente, poderia ter dentes e olhos perfeitos, mas nada compensaria o fato de que era um monstro. Uma aberração. O "demônio".

Apavorado, Victor fugiu da própria monstruosidade que criara, e não tornou a vê-la durante dois anos.

Nesse ínterim, o monstro viveu nas sombras, escondido, com medo de que a sociedade não o aceitasse - todos que eram privilegiados com a infernal vista, ou saíam correndo, ou o atacavam. Sendo assim, aprendeu a viver sozinho, embora o que mais desejasse era ser benquisto. A criatura era sensível, e sofreu por ter a solidão como sua única companheira.

No entanto, a realidade tomou outro rumo quando Victor e o Sr. Demoníaco se reencontraram; e ao ser rejeitado mais uma vez por seu criador, o Ser Nefasto passou a alimentar um novo sentimento: sede de vingança.

O "Frankenstein" original é muito diferente da história mais conhecida popularmente. O monstro não é verde, nem estavanado, e está longe de ter medo do fogo. Ele é ignóbil, execrável e deformado, mas substancialmente, não é perverso. É um ser que, como qualquer outro, não aprecia a solidão e almeja ser aceito pela humanidade.

Mesmo depois de cometer inúmeras atrocidades - em nome da vingança a Victor Frankenstein - o "Demônio" surpreende, sentimentalmente, os leitores com um desfecho inesperado.

Quem tem paciência para ler, vai amar este Clássico do Horror.

"Quando proferi essas palavras, percebi na escuridão um vulto que escapulia furtivamente de trás de um arvoredo próximo a mim; estaquei, observando com atenção: não podia estar enganado. Um clarão de relâmpago iluminou o vulto e revelou claramente a sua forma para mim; sua estatura gigantesca e a deformidade do seu aspecto, mais horrendo do que é humanamente possível, logo me revelaram que era o desgraçado, o demônio repugnante a quem eu dera vida. Que fazia ali? Poderia ser ele (arrepiei-me ante a ideia) o assassino do meu irmão? Assim que a ideia passou pela minha imaginação, convenci-me de sua veracidade; meus dentes rangeram, e fui obrigado a me apoiar contra uma árvore para não cair. O vulto passou rapidamente por mim, e o perdi nas trevas."

Informações Adicionais:
Autores: Mary Shelley, Robert Louis Stevenson e Bram Stoker
Título: Clássicos do Horror: Frankenstein, O Médico e o Monstro e Drácula
Editora: Martin Claret
Páginas: 688
Nota da Leitora: 4 estrelas

2 comentários:

  1. Ler esse livro foi uma verdadeira jornada. Eu li a edição da L&PM Pocket, com uma tradução impecável do texto original. É interessante ver que Shelley trabalha com diferentes gêneros para construir seu romance. O primeiro é a carta, pois no início do livro vemos uma série de cartas enviadas por um pesquisador rumo ao ártico. O segundo gênero é o narrativo, que dá formas à maior parte do romance, narrado em primeira pessoa. A história do monstro de como ele viveu escondido, aprendendo inclusive a amar e a desejar ser amado, é belíssima! Boa escolha de leitura e resenha!

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  2. Eu realmente fiquei encantada com a capacidade da Shelley! É uma leitura maravilhosa.
    Obrigada!
    Beijos

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