sexta-feira, 2 de junho de 2017

[Resenha] O último Adeus, Cynthia Hand

Título: O último Adeus
Autora: Cynthia Hand
Editora: Darkside Books
Páginas: 352
Onde comprar: Amazon

Faz quase seis meses que toquei nesse livro pela primeira vez. Passei por todo o ritual de folhear, cheirar o livro e por último e mais importante: a leitura dele. Livros que trabalham este tipo de tema precisam ser lidos, sem qualquer tipo de romantização. E, foi o que aconteceu. A Cynthia me deixou perplexa ao mostrar como as pessoas que amamos lidam com a perda de alguém tão querido, e mais ainda, se esse alguém tira a sua própria vida.

O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz.


“O tempo passa. É a regra. Independentemente do que aconteça, por mais que pareça que tudo em sua vida está congelado em um determinado momento, o tempo segue em frente.”
O último adeus é o tipo de leitura que você devora em poucas horas, e no momento que você o abre torna-se impossível deixá-lo de lado. A autora Cynthia Hand nos toca com uma linguagem envolvente e cheia de percalços. Sem contar que a edição lançada, no ano de 2016, pela Darkside Books está maravilhosa e bem revisada.  Uma trama intrigante e envolvente é a descrição inicial para a estória de Lex e da tragédia que aconteceu com sua família. O seu irmão cometeu suicídio e não há palavras que descrevam a dor da perda. Pior ainda se torna para quem fica, pois tentar entender o que aconteceu, quais os erros cometidos, o que levou a pessoa a planejar algo assim é quase indecifrável.

Lex é uma garota introspectiva desde a morte do seu irmão. Suas idas ao terapeuta quase não funcionam, e nem mesmo ela sabe qual rumo dar a sua vida. Em uma das sessões, o seu médico pede para que ela escreva tudo o que sente em um diário. As primeiras e últimas lembranças sobre o seu irmão devem ser colocadas lá. Como também descrições do seu cotidiano. Ao passo que ela escreve nas páginas, cuja diagramação foi muito bem trabalhada para mostrar os rabiscos da menina, nós ficamos comovidos com sua raiva e frustrações. Alguns trechos conseguem nos arrancar raiva e choro por tamanha sensibilidade. Chega a partir o coração!
"Existe morte ao nosso redor. Em todos os lugares para onde olhamos. 1,8 pessoa se mata a cada segundo. Só não prestamos atenção. Até começarmos a notar."
Outros trechos são nostálgicos e interessantes, pois acompanhamos a rotina diária e a dificuldade em tentar superar essa montanha russa de sensações. O que me chocou também foi que ao pesquisar sobre a autora, ela revela que seu irmão cometeu suicídio quando era jovem, mas deixa claro que toda trama trabalhada não tem haver com sua vida pessoal. Toda narrativa não passa de ficção, mas que fora tão bem discutida e desenvolvida que chegam a ser reais.


Aos poucos, Lex se torna mais adepta a ideia de compartilhar suas memórias. Este é um ponto decisivo para a evolução e profundidade do enredo. A narração em primeira pessoa deixa o leitor ainda mais sensível a esse tipo de leitura e mais aberto as perspectivas de quem fica e tenta lidar com a dor. O próprio desenvolvimento da personagem é perceptível ao leitor e isso nos faz criar um vínculo maior para ler (se houver) outras obras da autora.

A temática Suicídio é bem séria e ainda sim é um tabu social pouco trabalhado pela cultura mundial. Acredito que mesmo tendo vivido algo assim, a autora não deixa transparecer essas marcas ao decorrer do enredo, pois como ela falou: toda a estória de Lex foi pesquisada e criada. Nesse ponto, algo que destaco é que a autora em momento algum romantizou a temática, nem mesmo trata a narrativa de forma desrespeitosa e fantasiosa. Ao contrário disso, ela tenta trabalhar a dor da personagem e mostrar que o vazio de quem perdeu alguém querido sempre irá permanecer, a diferença é que temos uma lição maior a aprender: o dom da vida e de como precisamos valorizar o tempo, pois ele é curto e não sabemos o que pode nos acontecer.


Há algumas pessoas que tem medo de se jogar neste tipo de leitura, mas se torna tão viável e importante quanto outras temáticas. Não é um livro fácil de ser digerido por tratar de algo tão delicado como o suicídio, o que pode causar diversos julgamentos. A obra é recomendada para aqueles que estão sensíveis a esse tipo de leitura, e que mantem a sua mente aberta para não julgar sem antes conhecer os argumentos. É preciso cautela para não se frustar como a Lex, é preciso encontrar alguma beleza em meio a tragédia. Será que nossa personagem consegue superar este desafio?

Só é possível responder a esta pergunta lendo a obra. A postura sincera e honesta na linguagem da autora nos faz transcender barreiras dos pré-conceitos sociais. A escrita, linguagem e diagramação tornaram esta obra e a estória de Lex única!
“Nunca mais o verei.
Pensar nisso traz de volta o buraco em meu peito. Isso não para de acontecer, acontece a cada poucos dias desde o enterro. Parece que uma cavidade enorme se abre entre a terceira e a quarta costela do lado esquerdo, um rombo por onde se poderia ver o assento de vinil do ônibus por trás dos meus ombros. Machuca, e meu corpo inteiro fica tenso de dor, e minha mandíbula trava e meus punhos se cerram, e o ar congela em meus pulmões. Nessa hora, tenho a sensação de que posso morrer. De que estou morrendo. Mas então, tão de repente quanto surgiu, o buraco desaparece. Eu consigo respirar. Tento engolir, mas minha boca está seca.
O buraco é Ty, eu acho.”
Classificação:

18 comentários:

  1. Oi Amanda!
    Eu acho a edição desse livro linda! Gostaria de ler a história, apesar de às vezes fugir dessa temática, confesso. Adorei sua resenha!
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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    1. Sim, o livro é muito lindo! A vontade de chorar foi grande no desfecho. Eu também fugia... Até resolver dar uma chance.

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  2. Ola
    Esse livro parece ser profundo demais e na verdade eu tenho uma ideia sobre todas as sensações porque consigo sentir uma identificação nessa premissa. Talvez só quem ja tenha passado por uma perda assim consiga compreender de fato. É uma temática que te leva ao extremo. Eu realmente gostaria de poder ler, sem contar que a edição é um arraso.
    Beijos, F

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    1. É sim, é bem mais profundo durante a leitura. E mesmo não tendo passado por algo assim, acredito que seja doloroso e desafiador.
      Beijos

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  3. Oi Amanda,
    estou querendo ler esse livro desde o lançamento, mas como os livros da editora são sempre mais carinhos e quando estão em promo nunca tenho grana, acabo comprando outro títulos e adiando a leitura, ler sua resenha reacendeu meu desejo de dar uma chance a essa obra que aborda uma temática tão importante e que é tão elogiada por todos que o leram.

    Beijos!

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    1. Que ótimo saber que ela reacendeu! A proposta é intrigante e mais ainda porque a autora não romantiza a temática. É um livro para vc abrir sua mente e o seu coração.

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  4. Oiee Amanda ^^
    Se tem uma coisa que eu não gosto muito em certos livros, é a romantização que alguns autores insistem em colocar no meio. Ainda bem que este não é o caso deste ♥ estou querendo lê-lo já tem um bom tempo, parece ser uma obra tão sensível e emocionante. Não sabia que a edição tinha rabiscos e era, bem, desse jeito. Adorei! DarkSide sempre capricha, né?
    MilkMilks ♥

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  5. Oi Amanda
    Esse livro está na minha lista há um tempinho.
    Com certeza estou nesse mesmo processo que você: Esperando o momento certo para começar a ler. Já o tenho, inclusive.
    Adorei ler sua sincera e profunda resenha. Com certeza não é fácil superar uma perda e ver como isso foi tratado no livro me deixou ainda mais curiosa. Com certeza vou gostar assim como você.
    Sem falar que é um Darkside <3
    Adorei a dica.
    Beijinhos
    Rizia Castro - Livroterapias

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Olá!
    Ai gente, que capa fofa <3
    Então, a premissa já atrai bastante a atenção, adorei o fato de que a história em si é uma ficção, mas a autora consegue te passar a ideia de como se fosse real, isso é incrível! Eu sou uma das pessoas que tem medo de se jogar nesse tipo de leitura, mas ao ler a sua resenha realmente me dá uma vontade de procurar o livro agora mesmo para começar a leitura. Enfim, obrigada pela maravilhosa resenha e a dica ♥
    Um beijo

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  8. Oi Amanda, adorei sua resenha e essa realidade que a autora conseguiu passar. Com certeza é um livro que eu quero na minha lista e aproveitar essa leitura assim como você. Bjs

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  9. Oi!
    Morro de vontade de ler esse livro, e fiquei ainda mais depois da sua resenha.
    Imagino o quanto deve ser difícil conviver com o fato que o irmão se suicidou, e entrar na mente dessa protagonista na forma mais pura e bruta deve ser realmente um turbilhão de emoções.
    Espero fazer essa leitura um dia, porque não sou uma pessoa que lida bem com as perdas e tenho certeza que essa leitura irá me tocar

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  10. Oi, Amanda!
    Ai esse livro mexeu comigo de tantas formas... É muito interessante a forma como a autora mostrou o personagem lidando com a morte - acabamos nos acostumando a ler histórias sobre as pessoas que se vão, mas as que ficam sempre merecem um espaço para lidar com a dor também... Ai esse livro :3 è tão profundo que deveria ficar pra sempre na memória e ser relido em diversas fases da vida...
    Beijos!

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  11. Olá! Primeiro: que edição linda é essa? Amei demais! Parece ter sido feita com tanto carinho!!! Segundo: adoro que esse tipo de enredo, de assunto, esteja sendo tratado com mais afinco. É impressionante o quanto era ignorado. Agora todos falam, acham relevante. Que bom, porque é mesmo. Por mais livros que nos ensine humanidade. <3

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  12. Olá!
    A Darkside realmente arrasa em suas edições, não é mesmo?
    Eu morro de vontade de ler essa obra, principalmente por abordar um lado diferente do suicídio, que é aquele das pessoas que ficam por aqui. De fato não deve ser uma leitura fácil, mas é realmente muito necessária, principalmente para tirar esse tabu do assunto.
    Beijos.

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  13. Eu li o livro e ele me levou para alugares que eu não estava preparada para ir. Infelizmente perdi uma pessoa que amava para o suicídio e me identifiquei demais com a história. Sobre ter medo de se jogar em leituras assim, acho prudente, mas a sua resenha me emocionou novamente.
    Beijos

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  14. Oi, tudo bem?
    Eu tenho curiosidade com esse livro desde o primeiro primeiro dia que o vi, pois parece ser realmente uma história tocante. Mas confesso que nunca parei para saber mais sobre a história, sabe? Por isso fiquei animada com sua resenha e imagino que seja bem difícil de ler essa obra mesmo, mas deve ser muito interessante também, visto que a autora conseguiu trabalhar bem com tudo. Enfim, preciso ler esse livro logo e espero gostar tanto quanto você.

    Beijos :*

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  15. Oooi! O tema suicídio é muito discutido, mas ainda não li e nem ouvi sobre os efeitos causados aos entes queridos da pessoa falecida. Sem duvidas, são estes os que mais sofrem. Não curto muito livros que me fazem sofrer, mas esse parece ter sido muito bem escrito, acho que leria sim. Abraço!

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