sábado, 13 de agosto de 2016

[Resenha] A Resposta, Kathryn Stockett

Título: A Resposta
Autora: Kathryn Stockett
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 574
Onde comprar: Saraiva

Alguns livros ficarão eternamente gravados em sua memória e você levará um tempo para decidir compartilhar a história com as pessoas, pois você quer guardá-la apenas para você. Foi isso que senti ao ler A Resposta. Escolhi guardar essa história só para mim por um tempo, pois não estava preparada para compartilhar com ninguém.

A Resposta se passa no Mississippi em 1962, quando os negros estavam em busca de direitos civis. Eugenia Skeeter, recém-formada na faculdade sonha em tornar-se escritora, mas, para sua conservadora mãe, ser escritora ruirá as mínimas chances que ela tem de se casar. Ela não liga muito para o que a mãe fala e decide ir atrás de um emprego e acaba sendo contratada como colunista de dicas domésticas de um jornal local. Após a contratação ela enfrenta outro problema: Ela não entende nada de dicas domésticas.

“Feiura é uma coisa que existe dentro das pessoas. Feia é uma pessoa má, que faz mal aos outros. Você, por acaso, é uma dessas pessoas?”

É por conta de sua falta de conhecimento que Skeeter acaba se aproximando de Aibellen, uma negra empregada de uma de suas amigas. As duas começam a trabalhar juntas na coluna, mas, quando Skeeter descobre que Aibellen possui história de todas as brancas para quem trabalhou, pensa que ela poderia escrever um livro sobre o relacionamento das empregadas com as patroas brancas, mas apenas a história de Aibellen não será suficiente, ela precisará de muitos outros relatos.

Minny é uma excelente cozinheira e melhor amiga de Aibellen, mas ela é odiada por uma das mulheres mais bem relacionadas da cidade por algo que fez e está em busca de um emprego, mas ninguém irá contratar uma negra como ela e isso é motivo para um viés de desespero, até ela encontra ruma mulher que, aparentemente tem problemas, e que decide contratá-la. Essa contratação resultará em muitos aprendizados para ambos os lados.

É em meio a vários acontecimentos que as três mulheres começam a conversar sobre a possibilidade de Skeeter escrever um livro com os relatos das empregadas e surge uma esperança de ela descobrir, finalmente, o que aconteceu com Constantine, sua empregada que, sem mais nem menos, desapareceu e da qual sua mãe não fala.

“Toda a minha vida me disseram no que acreditar, em termos de política, sobre os negros, já que nasci menina. Mas, com o dedão de Constantine pressionado contra a minha mão, compreendi que, na verdade, eu poderia escolher no que acreditar.”

Num primeiro momento pensei que seria muito estranho ver a Skeeter escrevendo sobre as negras, pois as empregadas ali presentes eram empregadas de amigas dela e muitas coisas que as amigas brancas não contam para as outras seria revelado, mas isso só serviu para provar que não conhecemos quem está ao nosso lado. Uma pessoa que aparenta ser boa pode tratar seus empregados como lixo e alguém que aparenta ser ruim pode tratar seus empregados com muito carinho e respeito. Além disso, vemos que as empregadas foram mais mãe do que muitas mães e isso, desculpem, dói, pois, ver uma mãe não dando atenção para o filho, é doloroso demais.

A história foi muito comovente, pois conhecemos várias facetas da época e como os negros eram discriminados. Onde já se viu um negro só poder utilizar um banheiro fora da casa dos brancos? Ser criado um projeto com aprovação, praticamente unânime, para que isso aconteça? Pois é, isso acontecia em Mississippi em 1962 e, desculpem, mas ainda acontece muito hoje em dia, pois o preconceito move muitas pessoas. Se as pessoas desse livro existissem de verdade e lessem essa obra, perceberiam que essas negras, que tinham lugar específico para tudo, foram mais mãe de seus filhos do que ela que estavam preocupados em não deixar o negro fazer isso ou aquilo e que deixaram de lado o cuidado com o filho.

“Quando tinha um aninho, Mae Mobley não parava de me seguir aonde quer que eu fosse. Batia cinco horas, e lá tava ela, pendurada no meu sapato Dr. Scholl, se arrastando pelo chão, gritando como se eu não fosse voltar nunca mais. Dona Leefolt, ela olhava com o olho apertado pra mim, parecia até que eu tinha feito alguma coisa errada, e desgrudava o bebê chorão do meu pé. Acho que é o risco que se corre, quando deixamos outra pessoa criar os nossos filhos.”

Esse livro é um tapa na cara para as pessoas que possuem preconceito e esperam sempre o pior dos negros. Com uma narrativa intercalada entre os pontos de vista da Skeeter, Abellen e Minny, é um livro que recomendo para todos, até para aqueles que odeiam o próximo, pois poderão aprender muito. Devo ressaltar, entretanto, que essa obra me lembrou muito O Sol é para todos e, inclusive, cita a obra em alguns momentos e isso foi mágico, pois o livro da Harper Lee foi uma obra que não foi tão impactante quando li, mas acho que foi o momento e senti muita vontade de reler.

Classificação:


15 comentários:

  1. Oi Bruna, Como vai? Eu já li esse livro algum tempo atrás, e gostei muito. É um livro muito reflexivo, para mim foi um dos melhores livros que li em minha existência. A sua resenha ficou bem elaborada e, você mostrou de forma clara o que o leitor encontrará no livro. Gostei, aliás os quotes que você escolheu são maravilhosos. Abraço!

    Marcas literárias
    leootaciano.blogspot.com.br

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  2. Olá Bruna!
    Adorei a sua resenha, realmente esse livro parece ser um tapa na cara para esses preconceitos e absurdos que ainda acontecem em nossa sociedade.
    A Alina fez essa resenha lá no blog também, e realmente fiquei com muita vontade de ler.
    Parabéns, beijos!

    www.booksimpressions.com.br

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  3. Ola.
    Infelizmente ver uma empregada doméstica ou baba ser mais mae de uma criança que a própria mãe é um fato comum nos dias de hoje, e isso é mesmo de entristecer.
    Gostei bastante da sua resenha d de conhecer essa obra que aparenta ser excepcional. Fiquei bem curiosa com o livro, mas não sei se o leria.

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  4. Oi, Bru!
    O livro não sei se leria, mas com certeza ainda vou assistir o filme.
    Adorei sua resenha. É sempre bom ler livros que nos dão um tabefe na cara.
    Ah! Te indiquei numa tag
    Beijos
    Balaio de Babados

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  5. Oi Bruna, tudo bem? Eu já tinha ouvido falar desse livro meio por cima mas não sabia bem do que se tratava. Adorei o enredo e a forma como esse livro representa uma crítica e um choque aos preconceituosos. Pois infelizmente ainda existe muita gente com essa discriminação. Essa dica está mega anotada e com toda certeza vou ler.
    BJ

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  6. Oi Bruna, tudo bem?
    Eu não li o livro, mas vi o filme e AMEI ele, me tocou de tal forma que não imaginava que era capaz. Se eu já achei o filme um belo tapa na cara, fico imaginando como seria o livro! No filme eu amei as três personagens, elas são incríveis e acredito que no livro irei me apegar ainda mais a elas, já que os livros sempre tem esse poder de nos deixarmos apegadas ainda mais do que na tv. A cena que mostra as mulheres negras desempenhando o papel de mãe bem melhor que as "moças boas" me fez emocionar bastante também. Espero ler o livro pois amei a essência da história.

    Beijos! ♥

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  7. Oie...
    Sempre vejo esse livro por aí, mas, nunca tinha parado para ler uma resenha, o que foi uma pena, pois, não sabia que o livro tinha um conteúdo tão intenso assim, acho, uma barbaridade quem ainda tem um preconceito tão bobo assim e acredito que essa obra poderá conscientizar muitas pessoas.
    Beijos

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  8. Oi, Bruna! Como vai?
    Preconceito, infelizmente, é uma realidade que perdura desde décadas passadas até hoje. Jamais pensei que o livro tinha um conteúdo relacionado a isso, uma vez que a capa e o título não demonstram tanto. Sempre gostei muito de livros históricos e de época. Esse parece ter um impacto muito grande sobre a nossa realidade e parece trazer mensagens de grande relevo para nosso cotidiano. Como você falou: um tapa na cara dos preconceituosos.
    Fiquei muito interessada na obra, sua resenha foi muito positiva e ter esse sentimento de querer "guardar o livro" pra você, como se fosse um tesouro, é um dos melhores sentimentos que um leitor pode ter. Quem nunca teve ciúme de um livro, não?! kk'
    Adorei sua resenha! Beijinhos.

    - Kaah
    Confissões de uma mãe leitora

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  9. Oi, bruna. Gostei muito do que o livro propoe abordar. Gosto muito de livros que passam além de uma história, uma boa reflexão acerca de algo. E não seja egoísta, conte sobre um livro bom, assim poderemos ler e ficar tão felizes com a leitura quanto você. hhahahaha. Eu espero ler esse livro logo, logo. Sério! E espero gostar também.

    http://porredelivros.blogspot.com

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  10. Não tive a chance de ler esse livro ainda é nem de ver o filme, porém só de saber que serve como um alerta aos preconceitos já despertar em mim uma vontade de conhecer profundamente a história.
    www.saotantas.blogspot.com

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  11. Oi Bruna, eu não li este livro e nem o filme ainda, mas já o conhecia, e acho mesmo que a capa é um tapa na cara de muita gente. Acredito que a descrição feita da época deva ser algo que nos faça pular na cadeira, mas felizmente de lá para cá muita coisa mudou, ainda que alguns resquício ainda continuem.
    Ele ainda será lido, com certeza.
    Bjs!

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  12. Acho que já cheguei a ver o filme, confesso que me deu vontade de ver de novo, mas uma coisa nao sabia, que existia um livro, o qual foi adaptado para filme, me bateu mais curiosidade.

    Beijos

    Viviana

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  13. Eu assisti o filme na escola uma vez e amei muito, não sabia que era livro mas depois que soube fiquei extremamente ansioso para o ler. O número de páginas me desanimou muito, admito, mas a tua resenha - tanto quanto outras que já vi - me deixaram apenas mais ansioso para ler logo a obra. Coloquei nos desejados do skoob e espero conseguir comprar o livro logo. Abraços.

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  14. Olá,
    Já conhecia o filme, apesar de ainda não assistir. Já tinha ouvido que tinha um livro, mas não tinha lido nenhuma resenha sobre e nossa. O livro parece ser incrível e relatar tudo o que o negro sofre. Eu fiquei com muito vontade de ler.
    Beijos,
    Delírios Literários da Snow

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