segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Uma estrela distante e brilhosa

Olá pessoal! Tudo bem com vocês? Hoje eu trouxe um texto que escrevi há alguns meses. Ele é fictício, ok? Espero que gostem ♥



"Olá Hannah, como você está indo? Espero que esteja bem... Espero que saiba que só estou escrevendo hoje, depois de ser dispensada do trabalho mais cedo, porque só hoje eu tive coragem de pensar em você como alguém que não está mais entre nós. Quando eu digo “nós”, me refiro à mãe, o pai, o tio Billy e a Nana. Ah, você sabia que a Nana está grávida? Pois é, ela está esperando um menino... Eles vão chamá-lo de um nome que você conhece bem: John. Pois é, é isso mesmo o que você está lendo. Imagino a sua cara! Nossa, Hannah, nem parece que você se foi.

Lembra-se de quando me contou, pela primeira vez, o primeiro encontro romântico que teve com o vovô? Você disse “John dirigia uma tranqueira, mas eu não me importava com isso, só tinha consciência” Nossa! Como eu ri! Aliás, eu consegui sorrir agora, ao me lembrar desse momento. É uma pena que você não esteja aqui para ver como nós sentimos a sua falta. Você iria parar de dizer que era uma velha imprestável e incômoda, você finalmente se daria conta do quanto nós a amamos. E sentimos a sua falta.

Hannah, eu sinto tanto pela sua partida. Eu queria que você estivesse aqui para conhecer o Bob, meu cachorro vira-lata, e também, para conhecer o Lian, meu namorado de três anos. Você acredita nisso? Você dizia que eu era “espiritada” demais para namorar... Você dizia que eu ia querer farrear, ir para boates e danceterias. Nossa... Como eu sinto falta de você me dizendo essas coisas. Ah, Hannah, lembra-se da Julia? Aquela minha amiga? Ela se casou. Tão jovem. Há tantas coisas que eu queria compartilhar com você. O meu primeiro beijo. A minha primeira decepção amorosa. A minha primeira menstruação. A minha primeira briga feia com o papai. A minha primeira vez... A minha primeira conquista. A minha primeira perda.

Você sabe, Hannah, eu me recusei a chamá-la de vovó, pois não queria pensar em você como algo velho e prestes a terminar. Mas, olha oque você se tornou! Você envelheceu e terminou. O que eu ganharia com isso, Hannah? Você sempre quis que eu a chamasse de vovó. Desculpe-me, Hannah, mas eu estava certa quanto a isso. Eu não queria que você partisse, porque você partiu? Porque se transformou numa estrela distante e brilhosa? Você sabia que eu amava as estrelas, mas agora eu não as amo mais. Elas me lembram de você. Eu as odeio. Ah, Hannah, se você soubesse como estou perdida.

Eu não sei mais o que fazer quando começo a chorar, tudo parece estar fora de controle. Você conversava comigo e me acalmava em questão de segundos quando aquela tempestade começava a cair dos meus olhos verdes. Hannah, eu sei que o tempo é algo complexo e imprevisível. Eu também sei que não posso fazer mais nada para tê-la comigo. Perdoe-me pela demora, mas a minha ferida ainda não cicatrizou. Perdoe-me se fui rude em algumas palavras. Mas não é isso o que a dor faz? Não é esse o objetivo da dor? Tornar-nos agressivos até que tudo se torne em vão, até que tudo sare, recomece, reinicie? Acho que você precisa saber de uma coisa, antes de tomar o seu banho matutino na casa de Deus: Eu amo você, vovó."

Por Thamiris Dondóssola (Blog Historiar)

2 comentários:

  1. Oi...
    Que texto lindo !!!
    Aliás , essa frase é sempre clichê para os seus textos que sempre estão incrivelmente lindos :)
    Cheguei a me emocionar com a história , porque por mais que ela seja ficcticia acho que todos netos tem momentos maravilhosos com nossa segunda mãe.
    Beijos

    http://coisasdediane.blogspot.conm.br/

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    1. Oi Diane,
      Obrigada por sempre ler meus posts, haha. Que bom que gostou do texto, foi escrito com muito carinho.
      Beijos ❤

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