domingo, 27 de julho de 2014

Queda de Gigantes

Perfeição sem limites

 É inexplicável o quão esplêndida é a leitura de "Queda de Gigantes". O número de páginas pode assustar os leitores, mas é possível dizer com total segurança que as 912 páginas parecem nada. O modo como Ken Follett desenvolveu a história torna o enredo detalhado e sucinto ao mesmo tempo. Para quem gosta de História, este é o livro perfeito: A Primeira Guerra Mundial é contada de uma perspectiva diferente - a perspectiva interna, e não externa como aprendemos em livros didáticos. O leitor praticamente vive o horror da guerra, entra na História e passa a entender com maior facilidade por que o mundo foi capaz de cometer tal atrocidade.

 "Olhou em volta. Vários estavam disparando, outros recarregavam as armas, e outros feridos, contorciam-se em agonia, alguns já tomados pela paralisia da morte." 

 Além de proporcionar um maior esclarecimento sobre o passado, Follett foi inteligente na escolha dos personagens e, principalmente, em como eles se inserem no contexto histórico do início do séc XX. Cinco famílias de origens diferentes - alemã, americana, galesa, inglesa e russa - vão viver o drama que a Guerra causou sobre toda a Europa. Na primeira delas, os passos dos Von Ulrich serão seguidos. Otto e Walter, pai e filho, acompanharão todos os casos diplomáticos da Alemanha, antes, durante e depois da guerra. O problema é que o pai é conservador e o filho não compartilha dos mesmos conceitos. Walter, um jovem diplomata, sonha com um mundo no qual as diferenças étnicas e politicas não sejam um empecilho - inclusive, acaba se apaixonando por uma inglesa, Lady Maud Fitzherbert, em pleno tempo de guerra.

 "Maud já não sentia mais raiva - talvez tivesse esgotado todo seu rancor. Agora tudo que sentia era medo. Guerra ou paz, casamento ou solidão, vida ou morte: seu destino." 

 A família da moça, por sua vez, os Fitzherbert, são como o pai de Walter: conservadores. Portanto, da mesma maneira nunca aceitariam o romance de Maud com o jovem Von Ulrich. Na verdade, o maior problema da liberal Lady Maud é o irmão, o Conde Edward Fitzherbert - mais conhecido como Fitz. Este é casado com a Princesa Russa Bea, mas acaba se apaixonando pela criada, Ethel Williams, de família galesa. Do lado russo, por sua vez, a história a ser contada é dos irmãos Peshkov - Grigori e Lev. Eles trabalhavam em uma fábrica de trens - os quais estavam sendo construídos para a Guerra. Um dos irmãos acabam indo para os EUA, para tentar fugir da miséria russa, enquanto o outro se junta à Revolução Bolchevique.

 "Na Nevsky, cruzou olhares com uma criança pedinte, uma menina de seus 9 anos. Algo nela o incomodou. Logo em seguida percebeu o que o intrigara. O olhar que a menina havia o lançado era um convite de sexo. Ele ficou tão chocado que parou de andar no ato. Como ela podia ser uma puta naquela idade?" 

 Do outro lado do mundo, Gus Dewar, diplomata e assessor do presidente americano Woodrow Wilson vai à Europa para tratar sobre Guerra. 

 Apesar de cada personagem possuir sua estória particular, ela, de alguma maneira, mescla-se por completo ao contexto da guerra. Em meio à tantos jogos diplomáticos, estratégias políticas e militares e tratados o mundo nunca mais seria o mesmo depois da Primeira Guerra Mundial. A Guerra é tratada com uma riqueza de detalhes - de 1914 à 1918 - esplendora. Um esplendor que só "Queda de Gigantes" é capaz de conter.

 "- O chanceler decidiu - disse ele. Em seguida, repetiu as palavras que Walter tinha temido ouvir - Zustand drohender Kriegsgefahr. PREPAREM-SE PARA A GUERRA IMINENTE."

6 comentários:

  1. Me encantei com a sua resenha, Gabrielle. Não conhecia esse livro, fiquei com muita vontade de lê-lo, o adicionei no skoob e pretendo adquiri-lo em breve.
    Beijos - Tão doce e tão amarga.

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    1. Fico feliz que tenha gostado! Mas principalmente por ter gostado do livro. Espero que possa lê-lo e depois me contar o que achou.
      Beijos!

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  2. Oi Gabi,
    Nunca li nada do Ken Follett, não é muito o meu estilo de leitura, mas vejo grandes críticas a esse livro na blogosfera. Adoro tramas intrincadas e inteligentes que se unem para um desfecho genial. Quem sabe um dia desses não acabo lendo :) Ótima resenha!

    Beijos,
    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

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    1. Acho que é um livro muito criticado pois a maioria das pessoas o pegam para ler achando que é um livro fácil. Não é. Se não presta atenção em um único detalhe, digamos que perde o fio da meada. Se todos prestassem atenção nos mínimos detalhes, em como é mais fácil entender a guerra de uma perspectiva interna e não externa, não haveriam tantas criticas. Por isso é um prato cheio para quem ama historia!
      Beijos

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  3. Gostei da resenha Gabrielle. Parece ser um ótimo e interessante livro, Se tiver a oportunidade, pretendo lê-lo. Beijo!

    www.newsnessa.com

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