quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um pouco de literatura nacional #09

Bom dias, ávidos leitores!

Vamos às indicções da quinzena!

Um Pouco Além do Resto, de Clarissa Corrêa


Clarissa Corrêa foi minha aluna. Peraí. Você já deve estar concluindo que ela aprendeu comigo alguma coisa. Não, eu fui seu aluno disfarçado de professor. Cada texto que vinha de seus olhos enormes e de suas sardas iluminadas roubava um riso que eu ainda não havia inventado em minha escrita. Sua produção me converteu em um docente pontual, que frequentava o campus com gosto, não reclamava do cartão-ponto e da lista de chamada obrigatória. Tudo para ouvir sua voz temperamental, passional e lúcida de Cyndi Lauper. Era confessional, mas absurdamente impessoal nas teorias. Como? Falava de si para teorizar o comportamento dos outros. Aqui, ali ao mesmo tempo.


 Suas crônicas são ácidas, caem no colarinho e não saem com tira-manchas, perfuram o tecido até marcar a pele para sempre. Humor desesperado sobre relacionamentos desesperados sobre respostas desesperadas. Se não mentíssemos o que sentimos, não enfrentaríamos nenhum constrangimento na vida a dois. Mas mas mas mas a literatura é quando contamos a verdade. A derradeira transparência. Um pouco além do resto é contido na linguagem, porém exuberante nas sugestões. Confirma o quanto complicamos a felicidade. É somente estar feliz que já cavamos suspeitas, provocamos brigas, recrutamos flertes para testar o amor do outro.

A simplicidade não sacia ninguém – é o que parece lendo Clarissa, mesmo que a simplicidade seja o que a gente sempre sonhou em um relacionamento. O medo do futuro estraga o presente, e altera inclusive o passado. Não duvide do poder do pensamento: ele destrói amores perfeitos. São as suposições que se agigantam, e não diferenciamos o que é receio do que é real. Essa mania de procurar coisa onde não tem. Desconfie menos, acredite mais. E aprenda com Clarissa como eu aprendi. - Fabrício Carpinejar.


Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu


O que primeiro chama a atenção na leitura de "Morangos Mofados" é a fineza de estilo, a agudeza e a percepção de Caio Fernando Abreu para tratar da essência, do que há de mais profundo no ser humano. A busca, a dor, o fracasso, o encontro, o amor e a esperança vão se delineando nessa série de contos que se entrelaçam quase como se fossem um romance. Morangos Mofados foi o maior sucesso de Caio, que lançou 11 livros e foi traduzido para diversas línguas.






Desistir Nunca Foi uma Opção, de Daniel Guth


Mocinha era uma vira-lata que foi adotada por Daniel Guth e Julia Bobrow quando estava prestes a ser sacrificada. Um ano após sua chegada, uma misteriosa doença degenerativa se manifestou. Aos poucos, Mocinha foi perdendo os movimentos das patas dianteiras e, logo depois, das traseiras. Mesmo com dificuldades de locomoção e outros problemas de saúde, era cada vez mais amada pelos tutores. Mais que um bichinho de estimação, ela se tornou um membro da família. A tetraplegia levaria qualquer um a considerar a eutanásia. Menos os pais de Mocinha. Para eles, desistir nunca foi uma opção. Apesar de todos os problemas, Mocinha demonstrava uma incrível vontade de viver que foi documentada em sua página do Facebook, tornando-se um exemplo na luta pelos direitos dos animais com deficiência. Acompanhada de reflexões, fotos inéditas e dicas valiosas para cuidar de um cão com paralisia, em “Desistir Nunca Foi Uma Opção”, de Daniel Guth e Julia Bobrow, conheça a história de amor e superação de Mocinha que mostra que, sim, todos nós temos direito a uma vida plena e feliz.


O que acharam das indicações?

Beijos!

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