segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A Rosa Branca

Indescritível 

"Mas a palavra HISTÓRIA remete ao passado - o que é perigoso, pois leva a crer que os acontecimentos ficarão para trás e não se repetiram nunca mais. Tendo em vista que as condições em que vivemos mudaram radicalmente nos últimos 50 anos, tal perspectiva é ainda mais perigosa. O bem-estar social, que tem se tornado cada vez mais natural para muitos de nós, encobre morte, tortura e terror, mesmo quando acontecem bem ao nosso lado, e induz a não acreditarmos no que, na verdade, sabemos. (...) Cada vez mais, os rostos das pessoas parecem refletir o desejo de não renunciar a nenhum desejo, o que as faz perder o que há de mais precioso. Confundir o que pode ser comprado nas ruas iluminadas e vitrines abarrotas com o que realmente tem valor, mas não está à venda, torna o mundo vazio."




 Essas foram uma das primeiras palavras presentes no livro, e que já logo de imediato, impactaram a minha pessoa. Elas, que não deixam de ser a mais pura verdade, expressam o maior erro que todos nós cometemos: valorizar o mundo material acima de qualquer outra coisa. Nós nos esquecemos do que aconteceu no passado quando todos os seres humanos se portaram desta maneira - houve guerra, pobreza, desmantelamento completo da realidade que conhecíamos. É por essa razão que não devemos tratar o passado meramente, pois é ele que nos ensina com os erros - erros que podem ser concertados no futuro.

 "A Rosa Branca" mostra, fundamentalmente, como devemos lutar por nossos ideais e, principalmente, pela liberdade. Em 1943 inúmeros jovens foram executados por irem de encontro ao nazifascismo - espalhavam panfletos e pichavam os muros das universidades com aclamamentos do tipo "LIBERDADE" e "ABAIXO HITLER". Estes jovens, que inclusive chegaram a participar da Juventude Hitlerista, perceberam que o ufanismo - nacionalismo exacerbado - e o bem-estar social e econômico estavam solapando e ludibriando a população alemã, a qual estava cega às atitudes hediondas que Hitler acometia a todos que não considerava ser da raça pura, Ariana - judeus, débeis mentais, negros, homossexuais e estrangeiros.

 "-Em um tempo de muita miséria qualquer coisa pode chegar ao poder. Pensem no que tivemos que aguentar: primeiro a guerra, depois as dificuldades do período pós-guerra, a inflação e a grande pobreza. E, depois o desemprego. Quando o homem é privado de suas necessidades mais básicas e só enxerga o futuro como um muro cinza e intransponível, ele se deixa levar por promessas e propostas sedutoras, sem se perguntar quem as faz. (...) É inacreditável como é necessário enganar um povo para poder governá-lo."

 E apesar de saber o risco de vida que corriam, esses jovens não desistiram. Achavam que, de alguma forma, suas vidas valeriam para com o futuro da Alemanha.

 "De repente, surgira a palavra RESISTÊNCIA. Sophie não lembrava mais quem a dissera primeiro. Em todos os países da Europa, a resistência despertava em face da miséria, do medo e da opressão que se instalavam com o poder de Hitler." 

 Quando foram descobertos pela Gestapo, SA e SS - os "traidores" - como viriam a ser nomeados - dispensaram a oportunidade de fugir para proteger aos amigos e à família. Os réus, com sua coragem e avidez, impressionaram a todos, até mesmo aos agentes da polícia e aos juízes, tornando-se os heróis do povo alemão, e mais tarde, do mundo inteiro.

 "Talvez o verdadeiro heroísmo consista justamente nisso: em defender com persistência o cotidiano, o pequeno, o imediato - depois de ser ter falado tanto dos grandes temas."

 Entretanto, é interessante dizer que não é qualquer um que apreciaria a leitura de "A Rosa Branca".
É imprescindível ter um conhecimento básico de História, e essencialmente, se interessar pela Segunda Guerra Mundial. O livro trás relatos pessoais, documentos jurídicos, cartas e demais anexos. Quem estima o estudo histórico da Grande Guerra vai amar conhecer a juventude heroica apresentada em "A Rosa Branca".

 "MUITAS PESSOAS MORREM POR ESSE REGIME, ESTÁ NA HORA DE ALGUÉM MORRER CONTRA ELE."


Informações Adicionais:


 Tradutor: Tinka Reichmann, Juliana P. Perez, Organizadoras
Título: A Rosa Branca
Editora: Editora 34
Páginas: 272
Nota da Leitora: 5 estrelas

6 comentários:

  1. Oiee meninas, vim visitar e seguindo :)
    Não conhecia o livro, primeira vez que leio a respeito, gostei tanto da proposta dele quanto da tua resena, escreveu muito bem e me despertou curiosidade, quero ler mais!
    Não sou uma grande conhecedora de história, mas gosto de ler e ficar por dentro desse passado que não volta mais e foi tão importante para o dia atual.
    Feliz 2014 e Beliscões carinhosos da Máh ~~♥
    Cantinho da Máh
    @Maaria_Silvana

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    1. Oi, Maria!
      Obrigada, fico feliz que tenha gostado!
      E se, realmente, se interessa pela assunto, você vai gostar! É uma chuva de informações esse livro.
      Beijos!

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  2. Estou lhe indicando para o desafio de férias,
    dá uma olhada lá no blog.

    beijos ♥
    http://pausaparaum-livro.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada pela indicação, mas já está muito em cima da hora! haha
      Beijos!

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  3. Achei tão fofo aqui *-*
    Já estou seguindo! Se puder fazer o mesmo pelo meu Blog :*

    http://livrosechadatarde.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada!
      Estou seguindo seu blog, sim.
      Beijos!

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